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Dia da Consciência Negra: confira termos que sugerimos evitar

Renan Araújo

20 de novembro é celebrado o Dia da Consciência Negra, instituído oficialmente em 10 de novembro de 2011 pela Lei 12.519. A data foi escolhida em referência à morte de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares — localizado entre os estados de Alagoas e Pernambuco, no Nordeste do país. Zumbi foi assassinado em 1695 — nessa mesma data — por bandeirantes liderados por Domingos Jorge Velho.

Em comemoração à data, elaboramos este material para trazer um pouco mais sobre a origem do dia, além de trazer algumas expressões racistas que devem ser evitadas em nosso vocabulário. Continue a leitura e saiba mais!

20 de novembro: Dia da Consciência Negra

Como dito, o dia foi escolhido em razão da morte de Zumbi dos Palmares no ano de 1695. A escolha da data ocorreu no contexto de declínio da Ditadura Militar — no ano de 1979 —, no processo de redemocratização do país. Nesse período, movimentos de oposição e sociais ganhavam força em todo o país, como o movimento negro.

Anos mais tarde, com a redemocratização completa do Brasil e a promulgação da Constituição de 1988, outros segmentos da sociedade — incluindo o movimento negro —, conquistaram novos espaços também nas discussões e decisões políticas.

O intuito era trazer medidas que servissem como reparação histórica pelos anos de escravidão e preconceito sofridos por essas pessoas. Entre elas, a lei de raça ou cor, promulgada em 1989, além das cotas raciais, voltada especialmente para a educação superior e a educação básica. Além disso, em 9 de janeiro de 2003, foi instituída a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira por meio da Lei 10.639.

A lei oficializando o dia da Consciência Negra não tornou a data feriado nacional. Sendo assim, diferentes estados têm a possibilidade de definir se será ou não.

De olho no vocabulário: confira termos que sugerimos evitar

Nessa data, é importante conhecermos alguns termos de cunho racista que não devemos replicar. Dessa forma, tanto no nosso cotidiano quanto no dia a dia da equipe, temos a oportunidade de retirar palavras que podem ser ofensivas para alguns grupos sociais. 

Em alguns casos, o aspecto racista pode estar atrelado à etimologia da palavra — ou seja, ter sua raiz num processo histórico racista —, ou, em outros, o viés racial está na forma como essas expressões vão adquirindo significados pejorativos dentro de uma sociedade racializada. A importância de olharmos para ambas as situações está em entender que a língua é um organismo vivo e que podemos atuar na transformação dela para promover culturas mais empáticas.  

A seguir, selecionamos algumas das principais!

Serviço de preto

No dia a dia, costumamos ouvir que quando algo não foi feito como deveria, trata-se de um “serviço de preto”. Ou seja, associa à cor da pele um trabalho que não teve esforço e resultou em algo negativo. Isso nos remete ao fato de que a pessoa preta sempre é associada a algo desleixado, enquanto o branco é a pessoa quem de fato produz com qualidade e eficiência.

Denegrir

De acordo com o dicionário, temos a seguinte definição para a palavra denegrir: “tornar escuro, com aspecto obscuro, sem brilho; obscurecer”. Ou Aurélio ainda traz “tornar negro, escurecer”. 

Se analisarmos a etimologia da palavra “denegrir”, que vem do latim, não se associa ao racismo. Porém, a linguagem mantém aspectos culturais da região onde vivemos e traz preconceitos embutidos como uma forma de agressão. Por essa razão, o ideal é trocar a expressão por “difamar”.

Lista negra

Da mesma forma como o denegrir e o “serviço de preto”, a palavra negro está associado a algo que é negativo. Quem está na chamada “lista negra” deve ser desconsiderado, refere-se a algo negativo e pressupõe-se que deve ser evitado.

Inveja branca

Talvez seja uma das expressões mais utilizadas pelas pessoas. Da mesma forma que a “Lista Negra” se refere a algo negativo, a “inveja branca” traz uma amenização para a inveja da pessoa, como se fosse algo “do bem” ou positivo. Mais uma vez, reforça a ideia de que o preto é sempre associado ao lado ruim da coisa.

Meia tigela

Tal expressão é um pouco menos óbvia, que nos remete ao nosso período histórico. Ser alguém de “meia tigela” significa que tem pouco valor ou utilidade. Porém, na época da escravidão, quando as pessoas não atingiam o que os seus donos esperavam, recebiam apenas metade da tigela de comida como castigo. Algo tão triste de nosso período colonial/imperial não pode ser replicado no dia a dia.

Mulata

Outra expressão que vemos bastante no vocabulário das pessoas. Porém, o que pouca gente sabe é que a palavra se refere à mula, um animal que nasce do cruzamento entre a égua e a jumenta. No período da escrivão, filhos de escravas abusadas pelos seus patrões recebiam esses nomes da sociedade daquela época. Só reforça o quão pejorativo e cruel é a palavra, que deve ser retirada do vocabulário.

Tuas negas

“Não sou tuas negas”. Muitas vezes, essa frase é repetida para que uma pessoa afirme que não fará algo solicitado previamente. Essa é um pouco mais literal: afinal, na escravidão, as pessoas pretas eram propriedade dos brancos, que acreditavam que podiam fazer de tudo com elas.

Criado-mudo

O móvel que fica ao lado de sua cama também conta com um nome cujo histórico é racista. Novamente, precisamos voltar para o período da escravidão. Era comum que os escravos permanecessem no mesmo lugar segurando as coisas para os brancos, sem fazer nenhum barulho para que não atrapalhasse. Portanto, prefira utilizar a palavra “mesa de cabeceira”.

Cabelo ruim

Normalmente, a expressão “cabelo ruim” é associada aos cabelos crespos e cacheados. Porém, não existe cabelo bom nem cabelo ruim. Existem cabelos com as suas próprias características.

Da cor do pecado

Da cor do pecado é utilizada normalmente como uma espécie de elogio às pessoas. Porém, trata-se de uma objetificação do corpo negro, uma vez que o “pecado” da expressão tem conotação sexual. Isso não é um elogio!

No ambiente de trabalho: frase que não devemos replicar

A partir de todas essas expressões apresentadas, traremos alguns exemplos sobre frases que não devem ser replicadas no ambiente de trabalho:

  • “Você foi promovida? Que inveja branca!”;
  • “Vamos fazer uma lista negra de candidatos que agiram mal no processo seletivo”;
  • “Nossa, mas que trabalho de meia tigela que foi feito”.

No Dia da Consciência Negra, é importante sempre repensarmos os privilégios na sociedade, além de evitar que expressões já enraizadas não sejam replicadas em nosso espaço de trabalho. Com pequenas atitudes, existe a possibilidade de tornarmos o nosso ambiente de trabalho mais justo e igualitário. 

Por falar em diversidade e inclusão, se você deseja saber mais sobre o tema, continue no blog e acompanhe outro conteúdo que produzimos!