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Dia Internacional da Mulher: confira um panorama da mulher no mercado de trabalho

Edoarda Malzoni

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Hoje, é comemorado mundialmente o Dia Internacional da Mulher. Pensando nisso, a Qulture elaborou uma série de conteúdos que homenageia líderes que se destacaram e se destacam no mercado, ressaltando sobre as suas trajetórias e conquistas. Neste material, confira um panorama sobre a mulher no mercado de trabalho.

Apesar de ter um avanço significativo do papel da mulher no mercado de trabalho, ainda há alguns desafios a serem superados. De acordo com alguns insights do IBGE, apesar de serem maioria quanto ao ensino superior, ocupam apenas 44% das vagas registradas no Brasil. Em 1950, esse número era de 14%. Além disso, elas dedicam 73 horas a mais em serviços domésticos do que os homens, outro ponto que identifica a necessidade de algumas mudanças. 

Aqui, além de conferir um panorama completo sobre o tema, você vai acompanhar um pouco mais sobre a evolução dessa história. Continue a leitura e saiba mais!

História da mulher no mercado de trabalho

No último século, houve constantes avanços no que diz respeito ao papel da mulher no mercado de trabalho. Até a década de 1940, por exemplo, a expressiva maioria dedicava as suas funções apenas para as atividades do lar. Havia as exceções, mas relacionadas a mulheres solteiras ou viúvas – e exerciam, quase sempre, a atividades como o artesanato ou culinária.

Com a industrialização, houve a necessidade por parte das empresas de buscar mão de obra qualificada. Foi aí que as questões começaram a mudar. Porém, eram procuradas por terem salários mais baixos, levando ao setor industrial preferir pelo trabalho feminino.

Década de 1970

Somente a partir da década de 1970 que a situação começou a ser modificada. Nesse período, elas passaram a exercer outras funções até então destinadas apenas aos homens – funcionárias de comércio, por exemplo. Também houve um aumento expressivo na quantidade de professoras.

Tal transformação reflete diretamente às mudanças ocorridas naquela época, na qual alguns movimentos foram às ruas para exigir alguns dos direitos. A conquista do mercado de trabalho por parte das mulheres era um deles.

Representatividade da mulher no mercado de trabalho

Apesar de conquistarem espaços importantes (como o crescimento da participação de algumas décadas atrás para cá), ainda há desigualdades no mercado nacional. No Brasil, por exemplo, de acordo com o IBGE, apenas 36% dos cargos de liderança eram ocupados por mulheres. Além disso, mais de 43% desse quadro é formado por mulheres mais jovens — até 29 anos.

Quando analisamos a esfera pública, os dados são ainda mais preocupantes. Segundo a nossa legislação, há uma cota para a participação feminina na política (mínimo de 30%). Porém, em 2017, apenas 1 em cada 10 deputados da câmara era mulher — o que nos eleva a uma das taxas mais baixas da América do Sul. No Senado, esse valor é de 16%, enquanto no Congresso Nacional, 11,3%.

Segundo um levantamento feito pela Catho, publicado em outubro de 2020, essa desigualdade também afeta questões salariais. No estudo, foi observado que as líderes ganham, em média, 23% a menos do que os homens. No que se refere a outros cargos, também existem diferenças significativas:

  • coordenadora (menos 15%);
  • especialista guardada (menos 35%);
  • analista (menos 34%);
  • especialista técnica (menos 19%);
  • especialista operacional (menos 13%).

Importância da mulher no mercado de trabalho

Além de uma questão social, apoiar a igualdade no mercado de trabalho significaria um grande avanço para a economia do país e para o crescimento e desenvolvimento das empresas. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, o Brasil conseguiria aumentar a sua economia em até 382 bilhões em oito anos se houvesse um aumento de 1/4 na quantidade de mulheres no mercado até o ano de 2025.

Um estudo realizado pela McKinsey Study destacou que empresas que contavam com mais mulheres na liderança, usufruíam de um resultado operacional até 48% maior do que as outras empresas, além de um faturamento 70% maior.

Desafios da mulher no mercado de trabalho

Hoje, podemos observar alguns desafios quanto à mulher no mercado de trabalho. O primeiro deles está relacionado às questões étnicas. Apesar de o número de pessoas formadas no ensino superior seja superior ao de homens, 2,3 vezes mais mulheres brancas concluem a graduação.

Além disso, há o desafio da dupla-jornada. Conforme vimos, elas dedicam muitas horas a mais para serviços domésticos, trazendo como obstáculo conciliar esses dois cenários. Além disso, de acordo com o IBGE, 64% das mulheres afirmaram que sentiram suas carreiras afetadas depois da maternidade, pois houve a necessidade de recusar propostas e/ou deixaram de ser promovidas.

Um estudo da Fundação Getúlio Vargas identificou um ponto ainda mais preocupante: metade das mulheres que engravidam são demitidas até dois anos depois da licença maternidade.

Promoção da liderança feminina

Em 2020, foi feita uma pesquisa Mulheres na Liderança, na qual houve uma análise de 162 empresas. O estudo foi fruto de uma parceria da WILL (Women in Leadership in Latin America) com o Valor Econômico, Época NEGÓCIOS, Marie Claire e O Globo, realizado pela Ipsos.

Houve a preocupação de considerar alguns eixos temáticos, como:

  • estratégia;
  • recrutamento;
  • incentivo à liderança;
  • qualificação;
  • equilíbrio entre pessoal e profissional.

Entre os resultados, podemos observar alguns insights interessantes. O primeiro deles está relacionado à inclusão de mulheres na liderança. Essa pauta está inclusa como prioridade na agenda de CEOs de 66% das empresas analisadas. Outros 68% afirmaram ainda contar com lideranças formais que se preocupem com a igualdade de gênero, enquanto 53% também contam com políticas formais para melhorar essa temática nas empresas.

Porém, apenas 28% das empresas analisadas contam com políticas específicas para mulheres não-brancas, 23% para mulheres trans e 14% para mulheres acima de 50 anos.

Papel das empresas em todo o cenário

Como as empresas podem se destacar nesse cenário? Para garantir conquistas ainda mais significativas, há a necessidade de as lideranças e os Recursos Humanos acompanharem métricas de crescimento quanto ao tema. Ao monitorar o percurso, avaliar qual é a quantidade de lideranças femininas e de assegurar a essas pessoas um caminho justo para alcançar outros espaços, certamente vai haver melhorias desse número.

Além disso, é preciso elaborar programas de suporte específicos para mulheres que desejam ser mães, oferecendo segurança a elas no local de trabalho quanto ao assunto, além de entender que vai haver imprevistos no dia a dia (principalmente para as empresas que realizam a modalidade de home office).

Não deixe de entender, também, como é a percepção das mulheres em relação às políticas, práticas e processos de sua empresa relacionados ao tema. Por meio de pesquisas, há a possibilidade de verificar como está a satisfação das profissionais sobre o assunto e, em seguida, traçar estratégias que tragam melhorias nesse cenário, de acordo com o diagnóstico desenhado.

Por fim, é preciso capacitar as mulheres em áreas técnicas que ainda há uma deficiência quanto à diversidade. Existe um programa global, por exemplo, denominado “Mulheres na Inteligência Artificial”, com o objetivo de criar novas oportunidades para as pessoas no campo da tecnologia, cuja participação feminina ainda é baixa.

Neste material, você pôde conhecer um pouco mais sobre a mulher no mercado de trabalho, seus desafios e conquistas. Seja qual for a estratégia adotada, é essencial contar com um bom planejamento, entender quais são os gaps relacionados à diversidade de gênero e buscar por soluções que sanem essas dores.

Se você gostou deste conteúdo, continue no blog e acompanhe nosso material sobre Responsabilidade Social Empresarial.