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A partir de 2022, Burnout é classificado pela OMS como doença do trabalho

Renan Araújo

Burnout – homem com as mãos no rosto

Já há algum tempo, o burnout é discutido nas empresas. Trata-se de um distúrbio psíquico causado pela exaustão da pessoa colaboradora, chamada também de “síndrome do esgotamento profissional”. Apesar de as raízes serem o ambiente de trabalho, a doença afeta outras esferas da vida de um indivíduo, prejudicando relacionamentos familiares e trazendo chances de desenvolver até mesmo o aumento da pressão arterial, o que levaria a distúrbios cardíacos, dermatológicos e psicossomáticos.

Em 2022, a OMS classificou o burnout como uma doença do trabalho. Saiba mais sobre o assunto!

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Dados do burnout no Brasil

Quando analisamos os dados do burnout no Brasil, temos alguns números preocupantes. O país ocupa a segunda colocação entre a população mais estressada do mundo. De acordo com um levantamento feito pela ISMA-BR (International Stress Management Association), 30% das pessoas economicamente ativas sofrem de burnout.

O Brasil perde apenas para o Japão, que acumula 70%. No ranking, ainda há a presença da China, com 24%, dos Estados Unidos, com 20% e da Alemanha, com 17%.

Um outro levantamento feito pela Gallup, denominado Relatório Global de Emoções de 2019, cujo objetivo foi medir os níveis de estresse em mais de 100 países, foi identificado que mais de 1 terço das pessoas entrevistadas sofrem com muito estresse, o que leva à necessidade das empresas adotarem ações que revertam esse quadro — uma vez que vai afetar positivamente a qualidade de vida das pessoas e também a produtividade no trabalho.

Sintomas do burnout

Entre os principais sintomas do burnout, destaca-se:

  • muito cansaço, tanto físico quanto mental;
  • dores de cabeça frequentes;
  • insônia;
  • alteração no apetite;
  • dificuldades de se concentrar, até mesmo em atividades consideradas simples;
  • negatividade;
  • sentimento contínuo de fracasso;
  • insegurança em concluir projetos;
  • alterações constantes de humor.

Burnout como doença do trabalho

Já está em vigor a nova classificação da Organização Mundial de Saúde. Desde o dia primeiro de janeiro deste ano, a OMS classificou a síndrome como CID 11. Dessa forma, ela passa a ser tratada de formas diferentes — e há a necessidade, por parte das empresas, de estarem atentas a esse risco.

Sempre que há alguma alteração nesse sentido, profissionais da OMS analisam tanto dados quanto tendências de saúde, levando sempre o bem-estar da população de modo geral, em diferentes países.  A síndrome foi oficializada como “estresse crônico de trabalho que não foi administrado com sucesso”. Apesar de a alteração ter acontecido em 2019, somente este ano que entra em vigor.

O que as empresas devem fazer

De acordo com um estudo da Kenoby com profissionais da área de RH, cerca de 93% de profissionais ignoram questões de saúde mental. No estudo, 53,4% dos entrevistados disseram que pretende investir na questão, enquanto 35% afirmaram que o investimento virá em menos de um ano.

Essa mudança por parte da OMS faz com que haja a necessidade de ampliar essas discussões dentro de um negócio. A Ambev, por exemplo, criou uma diretoria específica de saúde mental, cujo objetivo é entender mais sobre o tema dentro do grupo e criar ações concretas para as pessoas colaboradoras.

Mariana Holanda, a aposta da Ambev, afirmou para a Revista Exame que “não é fácil falar sobre saúde mental, pois ainda existe preconceito. E toca na vulnerabilidade das pessoas. É difícil admitir quando você não consegue pensar ou deu um branco na reunião e isso está relacionado a não conseguir dormir por causa de um problema.

No passado, já foi razão de se vangloriar trabalhar demais. Hoje é diferente. E o debate não é sobre não cobrar ou não pressionar. Toda a sociedade, e o mundo corporativo, é pautada por desempenho. No ritmo de entregar mais e melhor, não existe tempo de recuperação”, afirma.

Entendimento do clima organizacional

Para entender como anda a saúde mental de seu negócio, o entendimento sobre o clima organizacional é um dos pontos fundamentais. Clima é a percepção de colaboradores e colaboradoras em relação às políticas, práticas e processos do negócio. Para a sua compreensão, aplica-se a pesquisa de clima. Por meio dela, há a oportunidade de diagnosticar diferentes temas dentro do negócio, inclusive a saúde mental.

Porém, o seu resultado não passa de uma resposta sobre o cenário em que a empresa está. O próximo passo é aplicar ações concretas para trazer modificações no que foi avaliado.

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