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Como desenvolver lideranças para 2021?

Renan Araújo

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As lideranças têm se tornado cada vez mais estratégicas dentro de um negócio. De acordo com uma pesquisa realizada pela Deloitte, cerca de 86% dos executivos apontam que é a mais alta prioridade dentro das empresas. Apesar dessa importância, de acordo com um outro levantamento feito pela HSM, 71% dos executivos brasileiros consideram que suas empresas não contam com boas lideranças.

Como é possível desenvolver as lideranças para o ano de 2021? Neste conteúdo, a gente explica um pouco mais sobre isso, além de trazer tópicos essenciais sobre o tema. Continue a leitura e saiba mais!

2020 e o desafio para as gestões

Primeiro, vamos fazer um breve panorama sobre 2020 e os desafios impostos pelos novos modelos de trabalho. Devido à pandemia da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, estados e municípios decretaram medidas de distanciamento social, exigindo que as organizações adotassem pelo home office.

Mesmo com alguns relaxamentos concedidos pelas autoridades, muitas empresas ainda optam por essa medida, uma vez que garantem maior segurança de seus profissionais até que a pandemia esteja 100% controlada.

No entanto, mesmo antes de eclodir essa crise, o trabalho remoto já vinha ganhando força entre as empresas. Aquelas que já o adotavam, certamente, saíram na frente. Para aquelas em que tudo foi novidade, o principal desafio era: como gerenciar equipes remotas?

Entre as práticas que precisaram ser adotadas, destacamos:

  • necessidade de criar processos de comunicação dentro da empresa;
  • orientar o time a ter um foco para as suas prioridades;
  • confiar na equipe e demonstrar interesse pelas demandas do dia a dia;
  • estimular a cultura do feedback;
  • ter empatia;
  • criar rituais de socialização.

Mapa do trabalho remoto no Brasil

Ao final deste ano cheio de desafios, algumas percepções já permitem a nossa análise. De acordo com uma pesquisa realizada pela Husky, fintech que reúne serviços integrados de administração financeira, contabilidade e câmbio, 76,8% das pessoas entrevistadas viram como positiva a mudança para o regime de trabalho remoto. Qualidade de vida no trabalho esteve entre as principais vantagens apontadas pelas pessoas — 68,5% afirmaram ter uma melhora nesse item.

Já uma pesquisa feita pela Workana e divulgada pelo G1, plataforma cuja finalidade é a de conectar freelancers com as empresas, 96,7% dos profissionais consideram o trabalho remoto como um requisito na busca por uma recolocação. Além disso, 94,2% das pessoas entrevistadas com carteira assinada gostariam de continuar trabalhando em home office após a pandemia.

Outros insights interessantes obtidos por essa pesquisa:

  • para 35,2% dos profissionais, o trabalho será mais flexível após a pandemia;
  • para 17,25% das pessoas entrevistas, vai haver mais liberdade e autonomia no trabalho;
  • 16,4% das pessoas acreditam que a empresa terá uma comunicação mais transparente para que os profissionais estejam mais alinhados aos objetivos da empresa, mesmo que de forma remota.

Sobre os atuais e futuros desafios da liderança, a pesquisa aponta que:

  • para 28,6% dos líderes, o principal desafio está em gerar flexibilidade para garantir equilíbrio entre vida pessoal e profissional;
  • para 14,3% das lideranças, oferecer uma solução que auxiliem pais a trabalharem em casa com crianças está entre as prioridades.

O preparo das lideranças para 2021

Conforme percebido, os desafios impostos pela pandemia foram muitos. Nesse cenário, existe a necessidade de prepará-las para que possam continuar oferecendo um bom trabalho em 2021 e obtendo os resultados almejados pela organização — bem como contribuir para que liderados e lideradas tenham melhorias em seu desempenho. A seguir, selecionamos algumas dicas!

Capacite as lideranças para a mudança organizacional

Gestão da mudança organizacional é um desafio dentro das empresas. No entanto, 2020 foi um ano em que as lideranças precisaram superar essa questão, justamente por tantas modificações impostas para as empresas de distintos segmentos.

Porém, nem todas as lideranças estão preparadas para essa questão. De acordo com uma pesquisa realizada pela Gartner, 46% dos líderes de RH reconhecem que gestores, gerentes e demais lideranças não estão preparados para as mudanças organizacionais. Jéssica Knight, vice-precidente do Gartner, traz mais uma questão preocupante: a quantidade de mudanças que o funcionário médio é capaz de absorver sem ficar fatigado em 2020 foi a metade observada em 2019.

Ainda de acordo com a Gartner, ao analisar dados de mais de 4000 colaboradores de diferentes níveis, geografias e regiões, existem dois pontos de atenção para que as lideranças possam orientar melhor seus liderados e lideradas.

Confiança

A primeira delas está relacionada com a confiança. Os funcionários que relatam alta confiança em seus líderes contam com uma capacidade média de mudança 2,6 vezes maior do que aqueles com baixa confiança.

Para criar esse vínculo, estabelecer proximidade deve ser uma prioridade para a gestão. Como isso é possível? Por meio da prática contínua de feedbacks, além de realizar de forma frequente one-on-ones.

Enquanto a primeira contribui para que profissionais possam entender como está o seu desenvolvimento, quais são os pontos positivos de sua performance e o que pode ser aperfeiçoado, a segunda possibilita um melhor fluxo de informações de baixo para cima, o que contribui para estabelecer medidas pró-ativas.

Coesão da equipe

Outro ponto observado está relacionado à coesão com a equipe. Até que ponto os profissionais compartilham do mesmo sentimento de pertencimento e conexão em prol de um objetivo comum? De acordo com a pesquisa, profissionais com forte coesão têm uma capacidade de mudança 1,8 vezes maior do que aqueles com baixa coesão.

Nesse sentido, o papel da liderança é observar de forma constante como seus liderados e lideradas estão se sentindo nas mais distintas esferas. Ao buscar por uma plataforma que possibilita esse retorno por parte de colaboradores, a gestão tem a oportunidade de identificar pontos de incômodo em cada funcionário, o que possibilita traçar planos de ação personalizados — além de estreitar os laços entre gestão e profissionais.

Diversidade entre líderes

Sabemos que a diversidade nas empresas é essencial para o sucesso da organização. De acordo com um estudo realizado pela McKinsey, organizações que investem nesse sentido têm 152% mais chances de profissionais proporem novas ideias, 62% mais propensos a auxiliarem pessoas de outros times e 64% mais oportunidades de compartilharem práticas de trabalho — pontos fundamentais para melhores resultados.

No entanto, a realidade ainda deixa a desejar. De acordo com um estudo plurianual da PwC, cujo objetivo é investigar os programas de diversidade e inclusão das empresas e como isso impacta na experiência dos profissionais, um terço dos entrevistados ainda veem a diversidade como uma das principais barreiras para o progresso em suas empresas. Além disso, apenas 5% das organizações estão obtendo sucesso com as primeiras estratégias de diversidade e inclusão.

Por que isso acontece? O papel da liderança exerce muita influência nesse sentido. Ainda seguindo os dados dessa pesquisa, 79% do engajamento dos líderes ainda apresenta níveis básicos ou emergentes, 26% das empresas contam com metas e OKRs de diversidade e inclusão, enquanto quase 30% ainda não contam com um líder de diversidade.

Além disso, essa diversidade deve ser estimulada, também, entre as lideranças. Apesar de as organizações entenderem sobre a importância desses tópicos, não é o que percebemos quando analisamos os quadros de profissionais.

Em outubro de 2019, um levantamento divulgado pela Valor Econômico demonstrou que apenas 13% das empresas do país contam com lideranças femininas em seus cargos mais altos (CEO). Quando analisamos a população negra, os dados são ainda mais alarmantes: apenas 4,7% das lideranças das maiores empresas brasileiras são pessoas negras — e somente 0,4% são mulheres.

Por essa razão, além de estimularem que lideranças busquem por talentos diversos no ano de 2021, também é papel da empresa trazer diversidade para os cargos mais altos — sendo essa uma preocupação fundamental para 2021.

Novas lideranças

Desenvolver novas lideranças é um dos desafios para grande parte das empresas. De acordo com um levantamento feito pela Gartner, grande parte dos gestores de RH contam com dificuldades para essa atividade, seja de nível sênior, seja de nível médio. De acordo com um levantamento divulgado, apenas 50% das organizações consideram que estão bem equipadas para que novos colaboradores possam assumir cargos mais altos.

Como isso pode ser superado? Em um outro estudo da Gartner, 81% dos RHs entrevistados declararam que a falta de preparo pode ser associada como uma das razões principais para que candidatos com alto potencial não alcançarem posições de liderança.

Outro ponto importante, focado novamente na gestão de mudança: apesar de 73% delas terem passado por 3 ou mais mudanças significativas nos últimos anos, o plano de sucessão é voltado basicamente para lideranças já existentes. Ou seja, não traçam estratégias para antecipar demandas a longo prazo.

Por essa razão, além de buscar por contínuos projetos de treinamento e desenvolvimento, é preciso contar com uma gestão de mudança organizacional eficaz, trazendo as possibilidades de prever demandas e investir no capital humano de seu negócio.

Neste conteúdo, você pôde entender um pouco mais sobre o panorama de 2020 das lideranças em nosso país, além de estratégias que devem ser levadas em consideração para o próximo ano. Além de todos os pontos mencionados, é preciso ter atenção quanto à gestão de talentos de sua empresa. Se deseja saber um pouco mais sobre o tema, continue no blog e boa leitura!