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Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência: conheça 4 nomes de destaque!

Renan Araújo

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Dia 11 de fevereiro é comemorado internacionalmente o Dia das Mulheres e das Meninas na Ciência. Quando pensamos em grandes nomes da ciência, é comum que remetemos boa parte deles aos homens. Por essa razão, em 2016, a Organização das Nações Unidas criou essa data comemorativa, com o objetivo de também honrar mulheres e meninas que contribuíram para conquistas importantes na área, além de inspirar jovens e demais mulheres a seguirem no ramo.

Em um período atípico no qual a sociedade voltou suas atenções para a ciência em busca de uma vacina e outras descobertas relacionadas ao coronavírus, é mais do que necessário destacar quem foram as mulheres que trouxeram necessários avanços para o mundo.

Pensando nisso, elaboramos este material para que você conheça algumas delas. Confira!

1. June Almeida

Conforme sabemos, o Sars-Cov-2 é um vírus pertencente ao grupo do coronavírus. Porém, a primeira descoberta dessa “família” foi há alguns anos, em meados do século XX. Nascida em um bairro pobre da Escócia e filha de motorista, June largou o colégio quando tinha apenas 16 anos. Nesse período, se tornou técnica de laboratório na região —  e pouco tempo depois já era uma especialista em microscopia eletrônica.

Tomando gosto pelo trabalho, June começou a estudar sobre o tema, além de desenvolver imagens de vírus — sendo a pioneira nesse ramo. E justamente nesses estudos que a cientista identificou um vírus que contava com as extremidades arredondadas — o que conhecemos hoje como coronavírus.

Uma pequena amostra de vírus chamou a atenção de June e sua equipe, uma vez que, apesar de contar com sintomas semelhantes ao de um resfriado comum, tinha particularidades que mereciam um estudo mais aprofundado da ciência. O nome, dado por ela mesma, era em razão da coroa que aparece na imagem viral.

June faleceu no ano de 2007, com 77 anos, vítima de uma parada cardíaca. Porém, o seu legado será sempre reconhecido na comunidade científica.

2. Ester Sabino

Com o surgimento de uma nova variante do coronavírus no final de 2019, a ciência começou a estudá-lo para identificar quais eram as diferenças existentes para os outros vírus do mesmo grupo, e quais seriam os riscos para o globo de uma nova pandemia.

No Brasil, Ester Sabino se destacou por sequenciar o genoma desse novo coronavírus. Ou seja, entender quais eram as informações que o vírus carregava. Os estudos começaram cerca de dois dias depois que o primeiro caso foi identificado no estado de São Paulo. Com o apoio de outros pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, da Universidade de Oxford e também do Instituto de Medicina Tropical da USP, Ester alcançou sucesso nessa pesquisa.

Ao entender essas informações, tanto epidemiologistas quanto especialistas da área da saúde conseguem desenvolver as vacinas, uma das únicas saídas para colocar um ponto final na pandemia.

Nesse time, de 27 profissionais que se preocuparam em identificar o genoma, 17 eram mulheres. Além do sequenciamento do coronavírus, a pesquisadora de 61 anos, do estado de SP, também se destacou nos estudos do HIV, da anemia falciforme, da doença de chagas e de arboviroses.

3. Jaqueline Jesus Goes

Também faz parte da equipe de Ester Sabino. Com apenas 30 anos, é uma das mais jovens mulheres da equipe liderada por Ester. Jaqueline é biomédica, doutora em Patologia Humana e Experimental e uma das coordenadoras da equipe que conseguiu o êxito de identificar o genoma em apenas dois dias.

No ano passado, Jaqueline realizou uma palestra online para o TEDx Puc Minas respondendo à seguinte pergunta: por que cientistas mulheres são esquecidas pela história? Segundo ela, “o nome desse fenômeno é invisibilidade feminina. É quando as mulheres não são vistas — não porque elas não estão presentes nesses espaços —, mas porque a estrutura na qual elas estão inseridas dificulta que elas sejam enxergadas”.

Além disso, Jaqueline expôs algumas iniciativas realizadas pela ONU para trazer igualdade de gênero, independentemente da área de atuação.

4. Nísia Trindade

Nísia Trindade é a atual presidente da Fiocruz, primeira mulher eleita em toda a história da Fundação. A Fundação Oswaldo Cruz, que também tem ganhado holofotes com a fabricação de uma das vacinas aprovadas no Brasil (a de Oxford), é uma instituição de pesquisa e desenvolvimento com sede no Rio de Janeiro.

Fundada em 1900 pelo sanitarista que dá o nome à fundação, é considerada uma das instituições mais importantes de toda a América Latina. Nísia é servidora e doutora em Sociologia e atuou como integrante do conselho editorial da Fiocruz, além de ser da comissão organizadora de importantes eventos do local.

Além disso, é professora honoris causa da UFRJ, bem como membro titular da Academia Brasileira de Ciências, eleita em dezembro de 2019. Hoje, seu principal projeto é justamente a fabricação da vacina que vai contribuir para que brasileiros voltem à normalidade, além de frear a pandemia que já fez tantas vítimas nos 26 estados e Distrito Federal.

Quanto ao fato de ser mulher na ciência, a presidente da Fiocruz afirma que “em todos os locais você vai ter elementos machistas. A gente tem uma cultura instalada. Isso é estrutural, global. Raramente você tem locais ou relações em que você possa dizer que, de fato, está livre dessas pressões de gênero, poder e preconceitos”, destaca.

Neste material, você pôde conhecer alguns importantes nomes que escolhemos homenagear no Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. Trazer esse reconhecimento contribui para destacar um importante trabalho realizado por elas, além de dar voz às mulheres de destaque em diferentes frentes de pesquisa.

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