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Restrospectiva 2020: o que grandes empresas fizeram durante a pandemia

Renan Araújo

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Que 2020 foi um ano de grandes desafios e transformações, não há dúvidas. Desde que a pandemia da Covid-19 eclodiu em grande parte do país, foram necessárias medidas que se adequassem aos decretos municipais e estaduais para evitar a proliferação da doença. Elisabeth Joyce, vice-presidente de Consultoria da Prática do RH do Gartner, definiu esse momento como um “enorme experimento no trabalho remoto generalizado”.

Mas o que grandes empresas fizeram para superar essas dificuldades? Neste conteúdo, a gente vai tirar suas dúvidas sobre o tema. Continue a leitura e saiba mais!

Os desafios do RH durante a pandemia

De acordo com uma pesquisa realizada pela Creditas (plataforma de crédito online), divulgada pela Você RH, da editora Abril, alguns desafios foram impostos para profissionais de Recursos Humanos.

Trabalho remoto como um todo

Em relação ao trabalho remoto, cerca de 73% dos entrevistados afirmaram que a empresa já estava preparada para encarar essa modalidade de trabalho. No entanto, 26% afirmaram que seus profissionais não estavam totalmente preparados para esse modelo.

Ferramentas de trabalho

Em relação às práticas de gestão de pessoas e as ferramentas disponíveis para trabalho — chamadas por vídeo e comunicados, por exemplo — foram vistos como tranquilos para grande parte das pessoas. Sobre a contratação remota, 57% dos profissionais afirmaram que não é muito complexo, enquanto 70% acreditam que o recrutamento será nesse modelo nos próximos anos.

Desligamento

Nesse mesmo levantamento, uma das grandes dificuldades apontadas pelos Recursos Humanos esteve relacionada às demissões — cerca de 65% dos entrevistados afirmaram que é uma tarefa mais complicada feita de forma remota.

Previsão de demanda

Segundo um outro levantamento feito pela Korn Ferry, empresa global de consultoria organizacional, um dos grandes desafios para o RH esteve relacionado à previsão de demanda. Cerca de 32% das empresas tinham dificuldades em identificar as necessidades futuras da força de trabalho, justamente por contínuas modificações de cenário que a pandemia provocou.

O que grandes empresas fizeram nesse cenário?

No tópico a seguir, retomamos o que grandes empresas fizeram em um cenário tão desafiador. Confira!

Ambev

No campo de vista de negócios, a Ambev conseguiu prever demandas por ser um grupo global. De acordo Jean Jereissati, CEO da fabricante de bebidas em nosso país, o contato com outros países — especialmente a China — contribuiu para que absorvesse aprendizados sobre quais seriam as estratégias a serem adotadas.

Em relação à cultura organizacional, a empresa destaca a sua importância em uma época de incertezas e de pouca previsão. Nesse sentido, o CEO destaca:  “O mundo está mudando muito rápido, independente da pandemia ou não. Já a cultura é um componente mais emocional da organização e é um fator crítico de sucesso”.

Além disso, a abertura de comunicação da Ambev para o mundo exterior já estava prevista antes de a crise eclodir. Em fevereiro, a empresa criou uma iniciativa que mostrasse a “Ambev além de seus rótulos”, com o objetivo de mostrar aos consumidores, parceiros e demais pessoas que há diversidade e sustentabilidade na empresa.

Walmart

A gigante do varejo Walmart se preocupou a todo momento em valorizar o seu capital humano. Como a empresa vendia suprimentos considerados essenciais, permaneceu aberta em grande parte do mundo. Nesse sentido, seus profissionais continuaram se deslocando para a estrutura física da empresa, algo que a Walmart preocupou-se em levar em consideração.

Nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 428 milhões de dólares foram destinados a bônus aos profissionais — pago nas proximidades do Dia de Ação de Graças, data importante do país — como forma de reconhecimento por continuarem operando nesse contexto. Além disso, pela primeira vez em 30 anos, todas as lojas foram fechadas nesta data.

Ford

Para a Ford, um dos grandes diferenciais da empresa durante a pandemia, de acordo com o  vice-presidente de Assuntos Corporativos da Ford América do Sul, foi justamente contar com processos maduros e bem estruturados de comunicação e employee experience.

“Tomando como exemplo esta pandemia, desde o início sabíamos que a nossa prioridade eram nossos empregados e parceiros, além dos consumidores. Sempre colocamos as pessoas em primeiro lugar. Por ser uma situação sem precedente, novas ações foram criadas e outras adaptadas”, afirmou em entrevista no início da pandemia.

Para que fossem investidos no bem-estar dos profissionais e também na qualidade de vida do trabalho, mesmo que de forma remota, reuniões diárias foram feitas com as pessoas em plataformas onlines. Além disso, a empresa se preocupou em realizar algumas sessões virtuais sobre saúde mental e resiliência, como uma maneira de apoiar toda a equipe durante esse período.

Bradesco

Diversas ações de endomarketing foram elaboradas pelo Bradesco. Para se ter uma ideia, somente gerentes há 14 mil por todo o país. Nesse sentido, observou-se a necessidade de criar medidas que pudessem auxiliá-los das mais diversas formas, visando garantir o seu bem-estar e trazer conforto durante todo o período de isolamento.

Para isso, foi implementada a campanha Live Office. Por meio dela, os profissionais puderam compartilhar como se adaptaram no home office, com o objetivo de trazer para perto como é a realidade de cada pessoa. De acordo com Márcio Parizotto, em uma entrevista dada na época, a ideia foi  “sempre com otimismo e positividade para as equipes, mostrando que, mesmo de longe e em um formato diferente, todos estão conectados; e seu bem-estar e sua contribuição são importantíssimos para esta organização”.

Hering

Renata Del Bove, diretora de gestão de pessoas da cia. Hering, se preocupou a todo momento em manter os rituais de cultura da empresa, mesmo que de forma remota: “se a empresa tem reuniões semanais em determinados dias e horas, se ela costuma fazer happy hour etc, estes hábitos devem ser mantidos, ainda que virtualmente. O importante é não se desconectar de seus rituais”.

Uma estratégia adotada pela empresa foi a criação de um Comitê de Crise, administrado por um grupo de líderes de distintas áreas. Seu principal objetivo foi estabelecer estratégias e ações para preservar a integridade e a saúde dos profissionais.

Magazine Luiza

Preocupar-se com a diversidade já se tornou pauta para grande parte das empresas. Para a Magazine Luiza, não foi diferente, especialmente em um contexto tão desafiador. Para isso, uma frente de atuação para ampliar a diversidade em seu negócio — raça, gênero e minorias de forma geral — foi criada para definir ações práticas.

De acordo com Frederico Trajano, mais de 50% da empresa já tem sua força de trabalho feminina. No entanto, há uma consciência de que existe a necessidade de aumentar a presença de mulheres, pessoas negras e demais minorias, principalmente no que diz respeito aos cargos mais altos da pandemia.

“Aquilo que mais me orgulha é termos uma das marcas reconhecidamente mais transformadoras da pandemia. Marcas que lidaram bem com a companhia do lado ESG e do consumidor final”, diz.

Entre as ações adotadas pela empresa durante a pandemia, pode-se destacar:

  • doação de dinheiro ao SUS;
  • desenvolvimento de funcionalidade no aplicativo para que mulheres denunciassem casos de violência doméstica;
  • compromisso de não desligar nenhum colaborador;
  • priorização de contratação de pessoas negras para programas trainees.

Além disso, a empresa antecipou férias remuneradas de parte dos colaboradores, reduziu salários de alto escalação e dobrou o valor do auxílio-creche para mais de 5 mil colaboradoras com filhos que tenham até 10 anos de idade e precisaram trabalhar de forma presencial.

E então, o que achou de ficar por dentro da retrospectiva 2020 sobre as principais ações feitas pelas empresas em um contexto de pandemia? Em um ano com tantas adversidades, houve a necessidade de o RH se adaptar e buscar por transformações. Além disso, as estratégias envolveram grande parte da empresa, como CEOs, diretores e demais lideranças, aumentando a integração entre as equipes.

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