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Autonomia no trabalho: qual a importância e como promovê-la?

Renan Araújo

Autonomia no trabalho – pessoas em um coworking

Buscar estratégias para a retenção de talentos deve ser uma das prioridades para as equipes. Quando a taxa de turnover é reduzida, automaticamente os gastos da organização também diminuem, seja com custos trabalhistas ou com o treinamento das novas pessoas contratadas. Nesse sentido, desenvolver e estimular a autonomia no trabalho é uma dessas ações.

De acordo com uma pesquisa feita pela Page Talent, cerca de 58% dos colaboradores no Brasil têm mais facilidade para desenvolverem as suas funções e buscar por inovação no time quando atuam de forma mais independente.

Pensando nisso, neste material, a gente apresenta algumas sugestões para que a sua equipe possa desenvolver a autonomia no trabalho. Continue a leitura e saiba mais!

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Como desenvolver autonomia no trabalho?

Inicialmente, vamos entender de maneira mais precisa como é possível desenvolver autonomia no trabalho. Confira!

1. Evite o microgerenciamento

O microgerenciamento é um tipo de gestão em que as lideranças passam a ter um excessivo controle pela equipe. Normalmente, tratam-se de líderes comandantes, que atuam de forma mais autocrática e demonstram poder a todo instante.

Entre os gargalos que isso gera para a empresa, além da ausência de autonomia para as equipes, destacamos:

  • limitação da criatividade do time;
  • prejuízos ao clima organizacional;
  • queda de produtividade;
  • falta de empatia e confiança gerada pelas lideranças;
  • queda do entrosamento entre a equipe; entre outros.

Além disso, deve-se ressaltar que o microgerenciamento cria certa dependência entre profissionais e a gestão. Consequentemente, ele vai solicitar permissão para realizar atividades simples do dia a dia, prejudicando processos e retardando o amadurecimento do time.

2. Implemente a metodologia de OKRs em sua empresa

OKRs são sistemas de metas coletivas e individuais que vão convergir para a busca de metas globais da organização. Entre os ganhos que essa metodologia traz para a empresa, a simplicidade e a transparência encontram-se como um dos principais. A adaptabilidade para diferentes contextos e organizações também é um dos fatores que contribuem para a sua aceitação.

Essa metodologia é uma releitura da gestão por metas, articulada por Peter Drucker. No Google, empresa que dispensa apresentações, foi implementada logo no início de suas atividades, quando havia apenas 40 colaboradores — e estão em uso até os dias de hoje.

Quais são as diferenças para as metas tradicionais e por que elas contribuem para a autonomia no trabalho? Entenda:

  • ciclos mais curtos — as OKRs são criadas e reavaliadas em ciclos curtos, de até seis meses. Já as metas tradicionais são em ciclos anuais;
  • mais transparentes — normalmente, as OKRs são públicas dentro da empresa, o que ocasiona em maior motivação para o time;
  • mais flexíveis — OKRs, diferentemente das metas tradicionais, são definidas de forma mais descentralizada. Consequentemente oferece mais voz e participação para as equipes, contribuindo para uma maior autonomia das pessoas e dos times;
  • menos ligados a remuneração — ao contrário das metas tradicionais, os OKR são ligados ao numerador e não ao objetivo base para a remuneração variável.

3. Preocupe-se em construir um cultura de autonomia

Para desenvolver autonomia no trabalho, é preciso que haja a construção de uma cultura de autonomia. Nesse sentido, lideranças precisam estar alinhadas para trabalharem essa questão com seus líderes e liderados, além de haver um reconhecimento quando as pessoas executarem suas tarefas de forma autônoma.

Por meio das reuniões de one-on-one, por exemplo, a gestão pode fornecer um estímulo para que as pessoas abordem sobre os desafios enfrentados no dia a dia de seu trabalho e quais são as estratégias adotadas para superá-los. Sendo assim, é indicado que elas sejam frequentes, realizadas pelo menos de forma quinzenal, trazendo tópicos sobre gestão e priorização e até mesmo abordando sobre as perspectivas de carreira.

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Com o objetivo de desenvolver ainda mais a autonomia, esses encontros devem ser vistos e praticados como uma reunião do liderado. Assim, ele é quem terá a responsabilidade de elaborar uma pauta para a reunião e também de se preparar para esse momento. Além disso, saia da reunião com anotações e tarefas pendentes, de modo que os tópicos trazidos sejam colocados em prática pelo profissional.

4. Trabalhe a cultura de feedbacks

Feedback é o processo no qual uma pessoa contribui para que outra possa se desenvolver a partir de suas próprias percepções, negativas ou positivas. Normalmente, fazemos uma analogia com o mapa de papel e o GPS. Ambos vão levá-lo a um destino, mas o GPS vai fazer correções ao longo do caminho para que esse trajeto seja feito de forma mais positiva.

Quando abordamos sobre autonomia no trabalho, esse é um ponto fundamental. Especialmente se mencionamos sobre os Millenials, geração nascida entre os anos de 1980 e 2000. Por meio dos feedbacks, há a possibilidade de gerar inputs de melhorias contínuas do trabalho, o que estimula comportamentos positivos, além de possibilitar o desenvolvimento de novas habilidades.

Dessa forma, os feedbacks devem ser trocados em tempo real. Além disso, deve ser personalizado, adaptando a entrega ao estilo do receptor. Enquanto umas pessoas são mais sensíveis, outras são mais críticas — para cada uma delas, o retorno deve ser diferente.

Por fim, o ideal é que seja direto ao ponto, deixando clara a mensagem e levando em consideração os sentimentos do colega, liderado ou liderada.

5. Estimule a inovação

Por fim, devemos levar em consideração que o propósito e a inovação devem ser os principais pontos de atenção por parte das empresas. Nesse sentido, as lideranças devem mostrar constantemente que o trabalho de seus liderados e lideradas é essencial para o dia a dia da organização, de modo que estimule-os a buscarem por novas maneiras de executá-lo para proporcionar um resultado mais efetivo ao negócio.

6. Capacite sua equipe

A capacitação de profissionais é uma das principais aliadas para que colaboradores e colaboradoras consigam executar seus entregáveis com qualidade e, consequentemente, com autonomia. Para isso, é importante que as lideranças identifiquem quais são as demandas, objetivos e prioridades dos times para assim desenvolverem estratégias de capacitação mais direcionadas.

7. Desenvolva a delegação de tarefas

Um dos grandes problemas que fazem com que as equipes não tenham autonomia necessária é a má distribuição de atividades, que pode gerar sobrecarga de atividades por parte das lideranças, falta de confiança por parte dos liderados e impactos negativos para a empresa como um todo. 

Para isso, é essencial ter uma boa delegação de tarefas, entendendo quais são as competências e dificuldades do time para que a distribuição seja mais rápida e estratégica. Além disso, vale destacar que a delegação de tarefas deve ser bem contextualizada e ter um acompanhamento mais próximo dos líderes nas primeiras entregas

Por que desenvolver autonomia no trabalho?

A seguir, selecionamos alguns dos principais pontos de melhorias observados ao apostar na autonomia no trabalho:

  • melhorias para o clima organizacional e aumento da realização das pessoas com o trabalho exercido — afinal, é uma forma de reconhecimento do time para executar com qualidade as estratégias da empresa;
  • melhora a eficiência — conforme percebemos, não vai haver a necessidade de um colaborador recorrer ao seu líder sempre que tiver algum insight ou necessidade de solucionar alguma questão;
  • melhora os resultados da empresa — consequentemente, a empresa poderá usufruir de melhores resultados, pois vai estimular constantemente o desenvolvimento de seus talentos;
  • aumenta a responsabilidade das equipes — com mais autonomia, as equipes se sentirão mais responsáveis pelas suas funções, uma vez que não vai haver cobranças excessivas por parte de suas lideranças diretas;
  • melhora a motivação dos profissionais — uma vez que a autonomia permite que a pessoa colaboradora possa atingir seus objetivos e metas da forma que preferir, o que gera maior envolvimento e motivação;
  • atrai talentos para a equipe — hoje, profissionais têm buscado por ambientes que permitam um crescimento saudável das equipes. Uma empresa com cultura de autonomia e confiança certamente terá maior competitividade.
  • ajuda na progressão de carreira — como resultado, a pessoa colaboradora passa a ter mais liberdade para buscar seu desenvolvimento enquanto profissional.

Além dos pontos mencionados, como as lideranças contribuirão para desenvolver a autonomia no trabalho?

Lideranças são pontos fundamentais para que as equipes desenvolvam a autonomia no trabalho. Para isso, é preciso:

  • confiar nas equipes — construa, junto ao RH, um processo seletivo eficaz para que contrate pessoas alinhadas ao propósito da empresa e também ao dia a dia dos times;
  • não tenha medo de ser vulnerável — vulnerabilidade para as lideranças é um ponto importante para a construção de um bom relacionamento. Por essa razão, caso não saiba alguma resposta ou esteja com alguma dificuldade, compartilhe com o seu time;
  • experimentar sempre — além disso, sempre experimente estratégias que contribuirão para um melhor desenvolvimento do time e, consequentemente, da empresa como um todo;
  • investir em comunicação — usar as ferramentas de comunicação de forma inteligente fará com que os alinhamentos entre líderes e liderados sejam mais dinâmicos e bilaterais.

Neste material, você pôde entender o que é a autonomia no trabalho, a importância de adotá-la e dicas de como conquistá-la em seu time. Conforme abordamos, o ideal é que a cultura da empresa como um todo usufrua dessa autonomia. Assim, as chances de conquistar os benefícios apresentados aumentam consideravelmente.

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