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Entenda a relação entre liderança e segurança psicológica

Renan Araújo

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O conceito de segurança psicológica foi criado pela professora Amy Edmondson, da Harvard Business School, em 1999. Muito discutido nos últimos anos, ele está relacionado a um conjunto de ações e estratégias de organizações para manter os ambientes saudáveis, de modo que as pessoas sejam estimuladas a trazerem novas ideias sem terem medo de julgamento, independentemente do contexto. Você sabe qual é a relação entre lideranças e segurança psicológica?

Em mais um material de nossa série de conteúdos sobre o tema, trazemos dados importantes sobre o assunto, além de explicar como funciona essa relação. Continue a leitura e saiba mais!

Segurança psicológica

No livro “A organização sem medo”, de Amy Edmondson, a autora denomina segurança psicológica como “a crença de que o ambiente de trabalho é seguro para assumir risco interpessoal, onde colegas confiam e respeitam uns aos outros e se sentem aptos – até obrigados – a serem sinceros”.

Muitos estudos mostram a estreita relação existente entre segurança psicológica e os índices de engajamento e bem-estar do negócio, bem como a maior criatividade das pessoas e a capacidade de a organização reter talentos de alta performance.

De acordo com um estudo do Google, a segurança psicológica também está diretamente ligada a resultados financeiros. Dentre as equipes analisadas pelo levantamento, aquelas psicologicamente inseguras não atingiram suas metas de vendas em -19%, enquanto as psicologicamente seguras atingiram em +17%.  

Aspectos da segurança psicológica

São quatro aspectos da segurança psicológica importantes de serem entendidos para compreender a relação existente com as lideranças:

  • segurança em se expressar — membros das equipes precisam se sentir seguros para trazerem novas ideias e questionarem processos e demandas;
  • segurança em interagir — o time precisa estar seguro para se engajar em conversas difíceis e interagir;
  • segurança em aprender — eles precisam se sentir seguros de fazerem perguntas e aprenderem com erros;
  • segurança em pertencer — é preciso que a equipe se sinta valorizada e apoiada, independentemente do contexto.

Relação entre segurança psicológica e liderança

De acordo com um estudo da Kenoby, alguns aspectos podem levar a danos psicológicos no trabalho. Entre eles:

  • falta de diálogo com a liderança — 19,1%;
  • assédio moral e constrangimentos — 18,9%;
  • ausência de feedbacks contínuos — 16%;
  • metas difíceis de serem alcançadas — 12,3%.

Conforme podemos perceber, todos esses aspectos têm ligação com a gestão de um time. Nesse sentido, as lideranças exercem um importante papel para promover a segurança psicológica na empresa por meio de diferentes estratégias, que explicaremos a seguir.

One-on-ones

Por meio da prática de one-on-ones (reuniões periódicas entre lideranças, liderados e lideradas), a gestão tem a oportunidade de fornecer ao colaborador a sensação de que alguém se preocupa com ele no nível pessoal, profissional, de carreira e de desenvolvimento.

Além disso, é a oportunidade de a liderança ouvir aspectos que podem prejudicar a produtividade do time, como questões do âmbito pessoal ou algum fator que atrapalhe o andamento das demandas. 

É preciso que esse seja um momento enxergado como do liderado ou liderada e é preciso que se estabeleça ações para que colaboradores não tenham receio de serem mal interpretados.

Entre elas, jamais quebrar o ciclo de confiança existente. Caso a pessoa se sinta sabotada ao se abrir, a troca de informações consequentemente será comprometida. Ou seja, a postura não deve impor julgamentos para trazer segurança ao time.

Feedbacks contínuos

Conforme vimos, a ausência de feedbacks contínuos está presente em 16% das respostas de pessoas que consideram que suas empresas oferecem danos à saúde mental. Por meio deles, a liderança tem a oportunidade de orientar os melhores caminhos a serem seguidos, além de possibilitar mais desenvolvimento às pessoas envolvidas.

A partir do momento em que há a prática constante dessa cultura no negócio, as pessoas também são estimuladas a oferecerem feedbacks para pares e demais pessoas de outros times, o que contribui para uma empresa que está em constante desenvolvimento.

Dados sobre lideranças

De acordo com um estudo realizado pela consultoria Michael Page com candidatos a vagas de emprego, cerca de 8 em cada 10 profissionais pedem demissão por causa de suas lideranças.

Entre os motivos identificados pelo estudo, o desempenho abaixo do que se espera de um líder, o sentimento de que a pessoa não é uma líder pelo exemplo e/ou inspiração no dia a dia, além da falta de crescimento profissional e a falta de feedbacks para o desenvolvimento são alguns dos principais fatores.

Nesse sentido, é importante que as lideranças compreendam bem o significado de segurança psicológica, peçam feedbacks para as suas equipes e busquem continuamente por aperfeiçoamento de suas funções, uma vez que essas práticas serão importantes aliadas para a retenção de talentos e para a promoção de um clima organizacional mais positivo.

Se você gostou do material e deseja conhecer também como a cultura de feedbacks se alinha com a segurança psicológica, continue no blog e confira um outro conteúdo sobre o tema!