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Trabalho remoto !== trabalho assíncrono

Francisco Homem de Mello

Em tempos de COVID-19 [1], todos estamos – ou deveríamos estar – trabalhando de casa, ou seja, praticando o tão falado mas pouco praticado (até então) trabalho remoto. O trabalho remoto assusta muito, mas ele é muitas vezes conjugado como conceito com outra prática ainda mais faixa preta que é o trabalho assíncrono. Nesse post, vamos falar um pouco da diferença dos dois, e de como organizações faixa branca no trabalho remoto devem ganhar uma boa prática com o trabalho remoto antes de graduar para o trabalho assíncrono.

Trabalho remoto significa, de maneira geral, que os profissionais de uma organização não estão fisicamente juntos em um escritório da empresa. “Fazer home office” é um tipo de trabalho remoto, mesmo que o escritório principal da sua empresa fique há alguns quarteirões da sua casa. Trabalhar de um Starbucks também é trabalho remoto, assim como trabalhar de outro país, em férias ou residência permanente. Em tempos de COVID-19, trabalho remoto é basicamente trabalhar de casa, ou “fazer home office”, para evitar o contágio da doença vindo de nossos colegas.

Quando trabalhamos de maneira remota, podemos seguir ou não a cadência natural de trabalho da empresa, ou seja, podemos trabalhar de maneira síncrona ou assíncrona.

Se a empresa é grande o suficiente para usar relógios de ponto (mas mesmo as que não usam tendem a seguir esse padrão), é muito provável que essa cadência seja algo como começar a trabalhar entre 7 (muito cedo!!!) e 10 da manhã, e parar entre 5 e 8 da noite, com uma pausa para o almoço.

Em tempos de trabalho remoto, faz sentido seguir mais ou menos a mesma cadência de casa: começar a trabalhar no começo da manhã e terminar no fim da tarde. Para isso, a adaptação é francamente muito simples: basta algum tipo de comunicador de grupo, como Slack, Teams ou Workplace, e um aplicativo de video-conferência (pareado com um microfone e uma câmera decentes).

Mas muitos profissionais e empresas confundem trabalho remoto com trabalho assíncrono, que é quando cada um pode fazer seu horário, contanto que a) cumpra sua jornada combinada de trabalho (tende a ser de oito horas diárias, cinco dias por semana), ou b) entregue os resultados esperados e combinados.

Trabalhar de maneira assíncrona exige muito mais preparo. As pessoas precisam, em primeiro lugar, de uma maturidade profissional alta para saberem que não estão na escola, quando “matar” aula (i.e., desperdiçar tempo de aprendizado e mensalidades dos pais) parecia ser bacana. Mas ouso dizer, e isso é tema de um post que vou fazer nos próximos dias, que o problema maior está na maturidade de empresários, empresárias, executivos e executivas que lideram as empresas, e que acham que as pessoas deixarão de trabalhar se não estiverem sob a constante vigilância e peer pressure de colegas e líderes. De qualquer forma, maturidade de lado, uma cultura de trabalho remoto e assíncrono é mais difícil de implementar, toma treino e requer práticas avançadas de comunicação assíncrona, como mensagens de voz, chat e emails, e coordenação de trabalho.

Minha sugestão é começar a jornada de trabalho remoto de maneira síncrona, ou seja, todo mundo começando e parando mais ou menos nas mesmas horas que costumavam ser praticadas no escritório. Será uma forma boa da organização ver que não existe monstro no armário e de então, dado o tempo necessário, passar de faixa para o trabalho assíncrono, que dá às pessoas liberdade para trabalharem quando são produtivas, atenderem às demandas de suas vidas pessoais (que muitas vezes são síncronas) e terem mais felicidade, sem que sacrifiquem resultados e contribuições.

Enfim, acho que é isso! Força nessa jornada do COVID-19. Vamos passar por essa juntos.