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Entenda o que é o e-leadership e quais seus diferenciais

Renan Araújo

E-leadership - colegas de trabalho interagindo

Em 2020, com a proliferação da Covid-19 em todo o mundo, empresas dos mais variados segmentos precisaram se adaptar ao trabalho remoto. Nesse sentido, a tecnologia se tornou cada vez mais presente no dia a dia das gestões, no contato das lideranças com o seu o time, além de ser a principal ferramenta para manter a comunicação alinhada. Devido a todo esse panorama, muito tem se falado sobre a importância do e-leadership, uma nova forma de liderar.

Até pouco tempo atrás, esse era um conceito pouco usual entre as organizações. Hoje, se torna essencial para que as empresas se mantenham competitivas no mercado e garantam a motivação de seus membros.

Pensando nisso, elaboramos este material para que você entenda o que é o e-leadership, quais são as características que ele tem, entre outras informações relevantes. Continue a leitura e saiba mais!

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O que é e-leadership?

Primeiro, vamos ao significado desse conceito. Trata-se de um novo modelo de liderança, no qual a gestão se preocupa em ajudar a geração millennial a potencializar suas competências. Até 2025, essa geração (compreendida entre os nascidos nos anos 1980 a 2000) vai representar cerca de 75% da força de trabalho mundial. Por essa razão, é preciso entender como essas pessoas trabalham e o que elas buscam nas empresas.

Entre as características que se destacam, o espírito empreendedor é um dos mais marcantes. Eles sonham alto e aspiram cargos de liderança. Visando alcançar esse objetivo, buscam por ferramentas e práticas que contribuam nesse sentido (a cultura de feedbacks e o apoio de suas lideranças, por exemplo).

O e-leadership vem justamente para identificar os conhecimentos dessa geração, aproveitá-los para as necessidades da empresa e maximizá-los.

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Quais são as características do e-leadership?

Agora que você já sabe o que é e-leadership e qual a sua relação com os millennials, chegou o momento de apresentarmos algumas de suas principais características. Veja!

Menos hierarquia

A primeira delas é a redução da hierarquia. Excesso de autoridade não combina com essa geração, pois há o desejo de serem mais colaborativos e participativos com as decisões das empresas, em trazer inovação para os processos, além de serem mais auto gerenciáveis.

O que é um ponto positivo para o negócio: de acordo com a consultoria Booz Allen, essa geração representa cerca de 44% da população ativa economicamente desde 2016. Nesse sentido, eles se conectam mais com as necessidades que os clientes enfrentam, trazendo bons insights para que a empresa possa se destacar positivamente no mercado.

Por essa razão, o ideal é que as responsabilidades sejam divididas — e as lideranças devem incluir essas pessoas em projetos mais desafiadores e de forma autônoma.

Mais autonomia

Por falar em autonomia, essa é uma característica importante do e-leadership e muito valorizada por profissionais. De acordo com uma pesquisa feita pela Page Talent, 58% dos profissionais no Brasil tendem a executar melhor suas atividades quando agem de maneira independente em suas equipes.

Entre as principais vantagens que essa relação traz para a equipe, destacamos:

  • mais motivação no trabalho executado;
  • melhora a eficiência das demandas;
  • possibilidade de as pessoas desenvolverem novas habilidades;
  • atração de talentos para os times;
  • aumento da responsabilidade entre as equipes.

Para isso, é preciso depositar confiança no time, sentir-se aberto para experimentar novos acordos e acreditar nas soluções trazidas pelos profissionais, além de intervir quando é identificado que há uma má decisão por parte dos colaboradores.

No vídeo a seguir, confira um Tedx elaborado pelo consultor Alexandre Pellaes, onde é feita uma reflexão sobre o novo mundo de trabalho, no qual o profissional aborda sobre as relações tradicionais hierárquicas e como a autonomia tem se tornado a palavra-chave para o propósito nas equipes.

Afinidade com novas tecnologias

No início do material, fizemos uma relação do e-leadership com o cenário atual. Devido a um contexto de trabalho remoto, foi necessário inserir novas tecnologias para que as atividades e demandas pudessem ser executadas com a mesma qualidade do que no escritório, independentemente do local de atuação do profissional.

Porém, o e-leadership precisa ter mais do que afinidade para as novas soluções. Existe a necessidade que esteja aberto às tendências do mercado, que incentive o time a buscar por ferramentas que auxiliem no dia a dia e torne a área mais estratégica, além de abraçar essas mudanças com mais naturalidade.

Coragem para inovar

Esse ponto, inclusive, está diretamente ligado ao tópico anterior. Devemos levar em consideração que os millennials são mais “inquietos”. Ou seja, buscam por inovação para executar as suas funções com mais qualidade. Porém, as lideranças precisam oferecer essa abertura para o time.

E é preciso ir além: mais do que confiar em ideias disruptivas e apoiar, existe a necessidade de ter coragem para colocá-las em prática. Para isso, profissionais devem ser estimulados a entenderem quais os ganhos daquelas soluções, quais foram os pontos de aprendizagem e o que pode ser potencializado para as estratégias do time.

Quais são as vantagens do e-leadership para as empresas?

Entender quais são as vantagens do e-leadership para as empresas estimulará as lideranças a conhecer de perto esse modelo e a buscar as principais estratégias para adotá-lo. Confira algumas delas!

Contribui para a atração e retenção de talentos

Quando mencionamos sobre atração e retenção de talentos nas empresas, estamos lidando com um desafio. Inclusive, de acordo com um recente estudo divulgado em maio deste ano, a onda de demissões voluntárias chegou ao Brasil.

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Entre as pessoas brasileiras, por exemplo, mais de 600 mil profissionais pediram desligamento, de acordo com o Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados (Caged), do IBGE. Quando comparamos com o mesmo período do ano passado, essa taxa aumentou cerca de 37%. Em 2021, foram 487 mil desligamentos voluntários, com base nos dados do próprio Caged.

Nesse sentido, é papel das empresas buscarem estratégias que mudem esse cenário e permitam que as pessoas se sintam mais motivadas e engajadas a continuarem exercendo as suas funções. Com o e-leadership, por contar com características que reduzem a hierarquia da empresa e promove mais autonomia para a pessoa colaboradora, é uma estratégia que não deve ser desconsiderada.

Maior engajamento

Engajamento deve ser estimulado nas empresas. Pessoas engajadas dificilmente pedem desligamento, além de buscarem por mais inovação para as suas funções. Consequentemente, há um melhor aproveitamento das demandas e das atividades. De acordo com um estudo conduzido pela Gallup, apenas 27% dos colaboradores são ativamente engajados, enquanto 15% são ativamente desengajados. Ou seja, desestimulam seus colegas em relação às suas funções.

Como o e-leadership preza por uma liderança que seja mais participativa e colaborativa, todas as pessoas serão incentivadas a participarem de diferentes decisões da empresa. Consequentemente, serão mais ouvidas e terão a oportunidade de fazerem a diferença. Como afirmamos, os millennials têm espírito empreendedor (e essa estratégia vai impactar diretamente no engajamento das pessoas colaboradoras).

Favorece uma cultura de aprendizagem

Cultura de aprendizagem também não pode ser deixada de lado. Segundo um estudo realizado pela Association for Talent Develpment (ATD), empresas que investem em treinamentos personalizados para as demandas das pessoas colaboradoras usufruem de uma melhora de até 218% da produtividade.

De acordo com o mesmo levantamento, empresas que contam com essa preocupação identificam até 24% de margem de crescimento de suas receitas quando comparadas com aquelas que reduzem seus investimentos. Além disso, um estudo feito pela Randstad demonstra que 75% das organizações corroboram com a ideia de que a cultura de aprendizagem é mais fácil para a empresa levar adiante suas estratégias, uma vez que o tempo gasto para encontrar uma pessoa capacitada é maior.

Outros diferenciais

Além de todos os diferenciais apresentados, também podemos destacar como vantagens o fato de que o e-leadership:

  • permite que o negócio maximize os potenciais de seus principais talentos;
  • possibilita a cultura de inovação;
  • contribui para que novos métodos sejam testados e colocados em prática, melhorando processos no negócio.

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Como implementar o e-leadership na empresa?

Como vimos, com a ampliação do trabalho remoto, o modelo de liderança e-leadership ganhou mais espaço por suas vantagens no engajamento dos colaboradores e na inovação da organização. Saiba como implementar esse novo modelo na empresa!

Fortaleça a comunicação interna

Já que o e-leadership favorece a autonomia e flexibilidade, é fundamental ter um fluxo de comunicação claro e conhecido por todos. Os canais de comunicação síncronos e assíncronos da empresa precisam ser utilizados de maneira eficiente, permitindo que as pessoas do time mantenham-se alinhadas por um lado, mas possam ter momentos de foco por outro. Para facilitar, é possível compartilhar um manual de boas práticas de uso desses canais para os colaboradores.

As one-on-ones também são uma estratégia que contribui para esse modelo de liderança, pois facilitam a comunicação entre líder e liderado. Elas favorecem a troca de feedbacks, a resolução de problemas e o direcionamento das ações, possibilitando que o líder acompanhe o engajamento e a produtividade dos liderados.

Fomente a transformação digital

Para que a cultura de inovação seja viabilizada e novas práticas possam ser testadas e implementadas, as lideranças devem estimular constantemente a transformação digital na empresa. É ela que vai possibilitar que a organização otimize seus processos e produtos, aumentando a produtividade e a qualidade das entregas.

Por isso, é fundamental que as lideranças mantenham-se ligadas às novas tecnologias e tendências do mercado. Elas precisam ter abertura às mudanças e, principalmente, desenvolver a cultura de inovação junto ao time. Para que isso aconteça, é importante investir em lideranças que possuem essa habilidade e fornecer treinamentos e especializações para que se mantenham atualizadas.

No e-leadership, então, os líderes se tornam guardiões da cultura de inovação no negócio. Com isso, a empresa passa a estar à frente das transformações e mudanças do mercado, posicionando-se como referência e autoridade para os clientes e parceiros.

Evite o microgerenciamento

Como o e-leadership busca promover o autogerenciamento e a autonomia dos colaboradores, depende da flexibilização do trabalho na organização. Dessa forma, não é possível implementar esse modelo de liderança se a estrutura da empresa é muito hierarquizada e os líderes microgerenciadores.

Definir uma rotina de trabalho flexível, com processos e fluxos de comunicação alinhados com a equipe, é um avanço importante. As lideranças também precisam adotar um perfil menos centralizador, demonstrando confiança para o time, desafiando e auxiliando os liderados.

Modelos mais horizontais, com mais proximidade e abertura entre líderes e liderados, mantêm as pessoas do time mais engajadas nos desafios e facilitam o compartilhamento de ideias e a implementação de novas soluções pelos colaboradores.

Quais os desafios para implementar o e-leadership?

Existem alguns desafios que não podem ser deixados de lado, especialmente quando mencionamos sobre o e-leadership. Um dos principais está relacionado à necessidade de engajar profissionais de diferentes times e de diferentes idades. Uma empresa para ser competitiva no mercado deve ser diversa. Diversidade significa trazer pessoas de diferentes narrativas, além de fazê-las se sentirem parte daquele meio.

Quando também é inclusiva, os diferenciais usufruídos pelo negócio são muitos. Por essa razão, é papel das lideranças contribuírem para que as pessoas lideradas se sintam bem no dia a dia de trabalho, bem como possam trabalhar diferentes perfis e habilidades na rotina.

Nesse sentido, a prática de one-on-ones e a criação de PDIs se tornam fundamentais. Aliadas a essas estratégias, buscar ações de treinamento & desenvolvimento também deve estar entre as ações de destaque de um time. Dessa forma, há a possibilidade de capacitar lideranças e também de colocar em prática planos de ação que de fato sejam realizados pela pessoa colaboradora na construção do seu Plano de Desenvolvimento Individual.

Assim, você vai contar com uma equipe engajada, motivada, além de reduzir as taxas de turnover e de absenteísmo do negócio.


Neste conteúdo, você pôde entender o que é o e-leadership e quais são as suas características e benefícios. Conforme observamos, existe a necessidade de se adaptar não apenas ao novo cenário de trabalho, como também às atuais gerações. Dessa forma, aumentam as oportunidades de atrair talentos qualificados, além de garantir que a sua empresa tenha uma marca forte perante os profissionais.

Ao longo do material, mencionamos algumas boas práticas de lideranças. Se você deseja se aprofundar no assunto, continue no blog e confira um material completo sobre o tema!